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sábado, 15 de maio de 2010

Despedidas

     Eram sete e meia da manhã e meu coração estava quase batendo fora do peito. Eu não costumava acordar cedo, mas naquele dia era por uma boa razão, ou pior, uma infeliz razão. Meus olhos estavam apertados e, meu pensamento, dividido entre o amigo ao meu lado e a tentativa de não chorar.
     Eu não o via, mas o ouvia se despedir de seus familiares. A sua mãe parecia estar tendo uma enorme dificuldade em segurar o choro, o pai dava-lhe tapas nos ombros, e os irmãos perguntavam se poderia usar o quarto dele como academia. Só que eu tinha certeza de que o que ficaria era muito mais do que um quarto vazio.
    Quando ele se voltou para mim, ajeitando a mochila nos ombros, eu olhei para além da parede de vidro à minha frente, para o avião pousado na pista de embarque. Perguntei-me quantas pessoas aquele avião já havia levado, quantas vidas havia ajudado a inovar, e quanta dor e saudades havia deixado para trás. Hoje ele estaria decolando com meu maior amigo, e levando uma grande parte do meu coração.

"Vai me dar um abraço?", meu amigo perguntou.

  Com muita dificuldade, voltei meus olhos para ele e memorizei melhor seu rosto. Eu, certamente, nunca o esqueceria, mas eu receiava que ele me esquecesse. Quando a realidade nova é melhor que a realidade velha [da qual eu logo faria parte] esquecer quem uma vez amamos era uma pequena e frequente parte do processo. Então, ele me abraçou, uma das poucas vezes que o havia feito na vida. E desta vez era para de despedir.

"Eu mandarei notícias", ele falou.

"E presentes", brinquei, "Sério."

"E daqui a alguns anos, cumprirei minha promessa, e te levarei comigo."

  Eu já o tinha ouvido dizer aquilo, e tentava me confortar com isso. Mas não mais pude conter as lágrimas, nem ele as suas poucas.
  Tinha pensado em mil coisas para dizer naquele momento, sempre desejando silenciosamente que não precissasse dizê-las, pois tinha esperanças de que ele não partisse. No entanto, foram vãs as esperanças e três palavras foram tudo que saiu:

"Sentirei sua falta."

3 comentários:

  1. Ora, acho que sei a quem se dirige esse...mas é claro que posso estar enganado. Mas caso eu esteja e o texto for pra Pedro EU TAMBÉM QUERO UM VIU SENHORITA?uahhuauhahuauhahahuhua

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  2. Pedro tá é sonhando, ele nem foi embora de avião e eu nunca choraria por ele...xD
    [Mas ainda te amo, Pedrinho. hehehe]
    É um texto simbólico. Quem nunca sentiu a dor de se despedir de alguém?

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